Relatório da Polícia Federal diz que o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva deve ser investigado “com parcimônia” pelo “possível
envolvimento em práticas criminosas”. O documento, revelado nesta
segunda-feira, durante a 23ª fase da Operação Lava-Jato, coloca sob suspeita o
financiamento de obras do prédio do Instituto Lula, na Zona Sul de São Paulo,
que teriam sido feitas pela Odebrecht.
Segundo a PF, cerca de R$ 12,4
milhões foram gastos na obra. Ao analisar documentos apreendidos na
empreiteira, a polícia identificou como sendo Instituto Lula a sigla “IL”, que
aparece em uma planilha. Diz o texto dos investigadores: “Em relação à anotação
‘Prédio (IL)’ e ao valor a ela referido de R$ 12.422.000,00, (…) a Equipe de
Análise consignou ser possível que tal rubrica faça referência ao Instituto
Lula”.
A sigla aparece em uma planilha
criada em 2 de agosto de 2010 por Maria Lucia Guimarães Tavares. De acordo com
a PF, a administradora tinha um telefone criptografado para conversar com
Marcelo Odebrecht e auxiliava o presidente da empresa “nas suas práticas
criminosas”. O documento foi salvo pela última vez em 31 de julho de 2012 por
Fernando Migliaccio da Silva, administrador de contas offshores.
Chamou a atenção dos investigadores
o fato de que, na planilha, há indicação de que o valor foi dividido em valores
quebrados: três parcelas de R$ 1.057.000,00, e outras de R$ 8.217.000,00 e
1.034.000,00.
“Valores ‘quebrados’ foram
identificados em duas situações: quando a vantagem indevida era calculada a
partir de percentuais — no caso dos contratos da Petrobras — e quando a
vantagem se travestia na disponibilização de serviços, bens e outras benesses
passíveis de serem valoradas precisamente”, diz o relatório.
Os policiais dizem que, seguindo
essa lógica, “caso a rubrica ‘Prédio (IL)’ refira-se ao Instituto Lula, a
conclusão de maior plausibilidade seria a de que o Grupo Odebrecht arcou com os
custos de construção da sede da referida entidade e/ou de outras propriedades
pertencentes a Luiz Inácio Lula da Silva”. Mas o texto alerta que as conclusões
“podem estar equivocadas” e sugere que o depoimento de pessoas investigadas
nesta fase da operação possa ajudar a revelar o o significado de cada uma das
anotações.
Os investigadores tentaram cruzar a
planilha com informações encontradas em blocos de notas do celular de Marcelo
Odebrecht. Não há nenhuma menção à sigla IL, mas a palavra prédio aparece
algumas vezes. Em 22 de outubro de 2010, há uma referência a “prédio novo”, mas
sem detalhes do que poderia ser. A outra citação de 9 de janeiro de 2013.
Por fim, a PF afirma que “a
investigação policial não se presta a buscar a condenação e a prisão de ‘A’ ou
‘B’. O ponto inicial do trabalho investigativo é o de buscar a reprodução dos
fatos. (…) Se os fatos indicarem a inexistência de ilegalidades, é normal que a
investigação venha a ser arquivada”.
Em nota, o Instituto Lula refutou
as acusações: “O Instituto Lula (IL) foi fundado em agosto de 2011, na mesma
casa onde antes funcionava o Instituto Cidadania, ao qual sucedeu, e antes desse
o IPET (Instituto de Estudos e Pesquisas dos Trabalhadores). A sede fica em um
sobrado adquirido em 1991. Em 2010, ano indicado na planilha, o Instituto Lula
não existia ainda. Tanto o Instituto Lula quanto o Instituto Cidadania não
construíram nenhum prédio”.
A Odebrecht
diz que não conhece os termos do inquérito e não poderia se manifestar.
G1
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